Nem os amigos sabiam que o crânio dele estava cheio de algodão. O pequeno furo provocado por uma contusão após uma queda aparatosa de bicicleta, expunha uma pequena fiada branca. Um dia, a brincar entre amigos, um quis saber porque é que ele, tendo 8 anos, já tinha cabelos brancos. Sentindo-se excluido pela diferença, decidiu arrancar esse cabelo. Puxou, puxou, e continuou a puxar...e foi assim que perdeu o cérebro...
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Baton
O grito tinha o paladar de baton sangue e a mensagem esborratava ódio nas 4 paredes receptoras. Era assim que reagiam à raiva: com frieza e indolência. As veias eram eco de coração apertado pelo não, anunciando vida, chicoteando-a numa tortura de auto-comiseração. Tudo era vermelho, porque tudo era dor. Antes, perdido no branco, não conhecia chão, parede, tecto...Refugiava-se na mensuração anacrónica de um daltonismo afectivo. E este galgava na putrefacção da reacção. Acordar era isso: saber que iria morrer.
Subscrever:
Mensagens (Atom)