Agigantou-se perante o penedo. Era mais fácil subi-lo como se degrau se tratasse. E foi no regresso à pequenez que se apercebeu de um gomo que provinha, não de uma planta, mas de uma rocha. Aproximou-se. Acariciou o rebento e este rebentou. Pétalas de rocha envolveram-no num abraço mortal e ele só conseguia pensar no porquê de não o ter regado...
terça-feira, 26 de abril de 2016
Abstrato
Estava o abstrato a comer papas de aveia quando o implosivo chegou. Era impossível não notar nas roupas fasciculadas. Cada capítulo tinha a sua cor; assim confidenciou o entrante. E, enquanto as mostrava, tal minhota a correr a roda das saias, denunciou os fios amarelos e vermelhos, que brotavam abundantemente das entranhas, tais ramos despidos de verde. A gripe levou ao espirro, e este acabou com ambos. Horas depois, o inquérito entrou e, não conhecendo a aparência do abstrato, imaginou-o...em abstrato
Adeus
Foi exatamente quando ele lhe apertou a mão, no cumprimento mais casual e desinteressado possível, que os dedos brotaram em flor. Mas não foi um processo delicado, suave, nem bonito. Os ossos cederam, quebrando com tal violência que a epiderme se pintou de sangue coalhado. Os gomos eram exalados entre fraturas, tais bolhas de sabão engordadas de dor. A mão tremia-lhe. A mão do recetor demitira-se enquanto ele carpia superlativamente com expressões de holocausto, com uma voz diluída pela fuga. Estremecendo, e tentando manter algum do convencionalismo que o identificara com a humanidade, alçou da mão e sacidiu-a num adeus folheado e verde...
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