sábado, 12 de setembro de 2015

Círculo da Vida

Eu pedi-lhe para me entornar alguns degraus. Ela fê-lo, porque não o poderia ter feito de outra forma. Desci os degraus de Escher e fui parar ao telhado. Lá, retirei um dos violinos que eram utilizados como telhas e toquei uma sonata de Bethoven. Esperei uns segundos e nada aconteceu. Entretanto, lá em baixo, a lua era boomerang, cujo regresso era uma Claire de Lune. E foi isso que toquei, enquanto do estado liquido passei ao gasoso. Ao alcance da lua, suguei-a, amarelando. Entrei pelas frinchas da fé, e deparei-me com Pandora, contorcionista, dobrada, como de roupa se tratasse, numa caixa. Dirigi-lhe uma pauta e ela respondeu-me em Pi. Incapaz de traduzir o sentido, tornei-me inflexível à sua flexibilidade e franzi as grades, que impediram a saída da minha percepção. Tornei-me sólido, demasiadamente humano, envelheci e, antes de morrer, percebi o círculo da vida...

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