segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Balas perdidas


Encostou o côncavo joelho à cama e pressionou. O arrastar desta no chão de madeira acordou o dono da casa. De movimentos atabalhoados, nadou nas ondas dos lençois e sacou a arma que se afundava por debaixo da almofada. Disparou 10 vezes mas apenas 7 balas sairam do cano da pistola. O fumo e pó libertado de um estuque alvejado foram as brumas de uma Avalon onde a princesa Morgaine, em pé no barco r...aso, vacilou. O vestido branco manchado de sangue era indicio de uma história de fim precoce. O lago gélido, receptáculo da fada ferida, expelia as últimas bolhas de oxigénio, enquanto o corpo se perdia no negrume das profundezas onde um submarino se perdia. O Capitão Nemo, perdido num qualquer livro da sua biblioteca, sentado em frente da janela que era aquário infinito, encontrava uma quase anémona branca, mas tingida de vermelho aqui e ali. Arrebitando o cachimbo, hipálage de atenção, expondo os globos oculares à perplexidade, apercebeu-se, aos poucos, que o ser era menos uma actinaria e mais um mamífero humano do sexo feminino. Ora tal, a cerca de 280 metros de profundidade e sem qualquer equipamento de mergulho, era por demais suspeito. Seguindo o corpo veio a segunda bala. Anichou-se no ventre do submarino, sem antes ter feito a tangente à fada.

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