sábado, 26 de março de 2011

Claire de Lune

Não seria eu a mergulhar os dedos numa conversa vã, esperando secura como resultado. Era assim; um dedilhado no meu sentimento, como massagem expectante pelo adocicar da minha voz. Outrora, fora eu piano, deliciado pelo som do contrabaixo.
Hoje, de cordas murchas, sonho pelos dedos de uma criança, fénix de um futuro, que aluguei em troca da adopção de entes que não me eram queridos.
Mas foi quando satirizei o meu espelho, não me reconhecendo nele, que sofri com o resultado. Não estava perdido, porque para me perder teria que saber onde pertencia. O ego rugia e engolia bocados de carne da minha vivência, abutres eram peças que escrevia, ainda com o sabor salino do amargo que os contornos dos lábios desenhavam. Sonhava que pesadelos eram bálsamos de criatividade e, por isso, regava com ácido todas as palavras que escrevia...e, por vezes, as palavras que nunca escrevera.
Subia sempre, porque descer era fraqueza, recta era apatia e conformava-me com a dificuldade de não ir a lado nenhum...
Não seria eu a mergulhar os dedos numa conversa vã, esperando o vazio mudo...Mas, seria eu a mergulhar os dedos numa conversa vã, esperando uma sonata de memórias engordadas pela tristeza...  

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