sábado, 26 de março de 2011

Memórias

Desceu os degraus das escadas que seguiam o corredor outrora percorrido. O subconsciente seguia-o. A porta em frente tinha teias de aranha nos vértices, pó bem medido em toda a sua superfície, mas abria-se com ligeireza.
A luz incandiava ambos: ele e o seu subconsciente. Era o jardim soalheiro que se espraiava até ao limite de um horizonte azul líxivia.
Dois escaravelhos corrigiam-se no tom a seguir, enquanto seguravam dois contrabaixos e os pássaros de asas de água humidificavam o trajecto do caracol, que agradecia efusivamente enquanto arrastava a sua mansão.

Os espirais verdes distendiam-se, com início nos ramos de um carvalho azulado pelas milhares de aranhas que cantavam odes à memória, e terminavam como balouços de gafanhotos que sopravam potentes saxofones...O nariz espinhado do éfesis que voou até ele contorceu-se em boas vindas...eram as boas vindas das memórias. Virou-se para o subconsciente e sublinhou algo que este já havia notado: olha, isto era a minha escrita há 10 anos...
E tocou a relva..., cheirou-a, identificou-se com o cheiro porque havia sido ali que o seu talento havia nascido...

Lacrimejou quando a música tocou, agora mais organizada, expectante pela sua chegada. Caminhar pelos estreitos corredores do cérebro, abrir portas antigas, tem as suas contrapartidas...

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