Esmero era o adjectivo que vestia aos Domingos. Era a voz monocórdica, a luz vitralizada expondo as partículas de pó, que ele acreditava serem planetas, as caudas longas das cadeiras de madeira nua, os cânticos empolantes sem mácula dos maculados, o púlpito frio, o vinho minguante, o pão sem o fermento da vida, as vestes virginais regadas de sexualidade, era tudo isso que o levava a acordar em todos os sétimos dias da semana. Não havia um grão de crença, e muito menos de fé e, no entanto, não abdicaria daquelas duas horas semanais. Alimentava-se da carestia moral dos presentes, coleccionava lembranças de pecado dos que se sentavam ao lado e escrevia as mesmas no livro negro intitulado de "livro negro". Não frequentava o confessionário, mas era um conhecedor da lúxuria, inveja, gula, ira, avareza, preguiça e vaidade, porque moravam tão próximo dele aos Domingos de manhã.
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