quinta-feira, 15 de março de 2012

Prancha

Mas se tiveres a vontade e o crer, nada é impossível. Esta foi a assunção de quem se elevou uns 20 cm e caiu uns 4 metros num monte de musgo. Paralítico - foi minha precipitação julgar o desfecho, quando afinal o corpo era ausente e a moléstia, a existir, estava bem camuflada de verde húmido. O choque levara-me a piscar os olhos, o suficiente para que agora quase me engasgasse de curiosidade. Entre um arranhar da garganta e uma tentativa de visualizar a melhor forma de descer os 4 metros de forma segura, levantei a mente da letargia e pus o corpo ao caminho.
O musgo era escorregadio, mantendo a sua natureza expectável, e a superfície rochosa descoberta era realmente sólida e pouco apelativa ao choque. Apalpei, para constatar o que afirmara e apesar de feliz com a constatação de que a natureza respeitava as suas próprias regras, exponenciei o meu estado de intriga. Momentos depois, repetindo em memória residual as palavras proferidas antes do fenómeno ter acontecido mesmo em frente dos meus olhos, cheguei à conclusão que deveria acreditar e repetir a proeza. Subi 4 metros. Saltei uns 20 cm e caí uns 4 metros. Paralítico - foi o meu estado, cuja letargia nunca realmente me abandonou.   

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