sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Linguas

Era uma vez um planeta em que as criaturas mais inteligentes eram praticamente semelhantes aos seres humanos, com uma pequena diferença: as línguas tinham espinha dorsal e eram tão compridas que não cabiam dentro da boca.
Não haviam tribunais, advogados nem juízes, mas uma entidade denominada de Punis Coerciva e respetivos funcionários, que policiavam os cidadãos e puniam os mesmos, caso fosse necessário e adequado.
Segundo os nossos padrões, e atendendo às nossas limitações físicas (subentenda-se, línguas carnudas, pequenas e desprovidas de osso), consideraríamos que uma entidade policiadora seria assaz insuficiente para pesar equitativamente o impacto que um crime teria noutro indivíduo, grupo, comunidade ou sociedade em geral. Todavia, neste planeta, todos os indivíduos eram questionados semanalmente, via contato móvel, sobre a sua conduta recente. Se confessassem um crime, seriam posteriormente visitados pela Punis Coerciva que daria sequência à punição de acordo com os factos transmitidos. Contudo, se um cidadão decidisse tentar ludibriar o sistema a sua língua ganharia uma escoliose proporcional à gravidade do crime cometido. Ele não teria qualquer possibilidade de corrigir a mesma e seria alvo público de indignação já que não teria meios de a esconder.

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