terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Magia negra

O meu crocodilo da sala de estar era de madeira. Era de madeira até ao dia em que, durante uma competição anual de magia negra, este acordou para a vida e lembrou-se que estava esfomeado. Olhou-me nos olhos com olhos de predador e fez-me correr à volta da mesa de jantar durante uma meia hora. Extenuado, cedi. Enquanto estava a ser engolido, lembrei-me que tinha uma caixa de fósforos no bolso. Às apalpadelas, saquei de um fósforo e acendi-o a custo. Não estava sozinho. Os 7 an...ões e uma banda regional do Minho entretinham-se a tocar todo o género de instrumentos musicais e a dançar. O facto de terem olhos de felino, permitia-lhes ver na escuridão. Assim que me viram, fez-se silêncio. Os meus dedos queimavam enquanto o fósforo se extinguia. Fez-se escuridão. Eram muitos os berlindes acesos a aumentarem de tamanho à medida que os seus donos se aproximavam. Quando acendi o segundo fósforo, estava rodeado de criaturas. Uma delas, um minhoto de pernas tacanhas e peludas, barriga assimétrica e nariz tucano entregou-me um par de olhos felinos, numa bandeja eclesiástica. Retirei os meus globos oculares, substituindo-os pelos novos. Dancei o malhão malhão e, depois de algumas cortesias com a banda, retirei-me pelo intestino grosso.

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