Quando ele desdobrou a língua nem o Camaleão Guedes adivinharia o quão longa ela era. Nem o mesmo imaginaria o quão lento esse processo seria. Mas, talvez o mais inesperado e grotesco, eram as inúmeras criaturas ao pé-coxinho, que provinham das profundezas das fantasmagóricas goelas. Tinham, cada uma, uma única perna de pau e lábios de palha. Quando me confrontei com elas, o sorriso armou, tal arco hirto pronto a largar flecha, e algumas farripas verteram e colaram-se à inund...ante saliva. Alérgico à palha, a boca fechou-se, decepando a língua, que se contorceu como cobra moribunda. Os seres cairam e, coxeando no vácuo, faziam lembrar escaravelhos de pernas para o ar. Eu e o Camaleão Guedes demorámos 3 horas para colocar em pé os 345 pé-coxeantes. No final, depois de sinceros e comovidos agradecimentos, ofereceram-nos as costas e cairam ribanceira abaixo.
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