sábado, 25 de julho de 2015

Poder

Embrulhado num maço de notas: a raiz. Se dessa raiz, usurpada de cor e de vida, putrefacta em cada ruga, bramindo fedor, se pudesse extrair poder, ele não teria dúvidas em ferrar-lhe os dentes. E, no entanto, o poder não emanava da possessão e, muito menos, da ingestão. As notas, coladas arbitrariamente com fita cola, foram retiradas como folhas de casca de cebola. As gotas de suor, que lhe escorriam do frontal, e que lhe humedeciam as mexas de cabelo, cruzavam a meta atrás ...das lágrimas. Os dedos atrozes, vincados na raíz, adivinhavam o voo da águia para local seguro. Mas, não guarnecido de asas, abraçava-a, olhando suspeitosamente em cada um dos trezentos e sessenta graus. De passo leve, camuflando o movimento, pegou nas flores de N., encostou-as à única parede do deserto e ostentou impaciência. Segundos depois, de corredor desdobrado, tal língua de gigante faminta, prosseguiu o seu passo. Era o jardim, e não a cálida imagem desertica, que presenteava o olhar. No centro desse jardim, exatamente no centro e não um milimetro mais adiante ou mais aquem, encontrava-se um buraco com 13 cm. Não tinha mais nem menos de 13 cm. Colocou a raíz. Cobriu-a de pequenos seres humanos. Regou-a de sangue. Sorriu, e nominou-a de "Todo o mal".

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