Perdeu-se no discurso. Gaguejou, evitou os olhares omissos pelos holofotes, e, tropeçando na mensagem, trepidou a linguagem, metamorfoseando-a em grunhidos. Os óculos nublaram e escorregaram pelo funil nariz, os dedos fincaram a madeira do pulpito, tentanto reter a massa corporea de verter pela tribuna, tal vela derretida, projetando-se pelos degraus em cascatas de vergonha. E, num momento de quasi-não-existência, alinhavou os fonemas e construiu uma palavra. Os membros solidificaram, saudosos que estavam do convivio, e regressaram ao corpo. Os óculos desfribrilizaram o cérebro e a mensagem prosseguiu sem ruturas, sem reticências, sem conteúdo...tal e qual como sempre fora...
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